Por que adotar um cachorro deficiente?

Adotar um cachorro deficiente pode ser uma das experiências mais gratificantes de sua vida! Leia o artigo e confira uma história incrível sobre esse tema tão importante!

ADOÇÃO RESPONSÁVEL

O especialista Richardson com seu cãozinho Oreo no colo.
O especialista Richardson com seu cãozinho Oreo no colo.

Adotar um cachorro é um ato de amor — mas quando falamos de um pet com deficiência, essa decisão ganha ainda mais significado. Muitas pessoas ainda têm dúvidas, receios ou até preconceitos sobre a adoção de animais especiais. No entanto, a realidade é que esses cães podem viver vidas felizes, saudáveis e cheias de carinho. Neste artigo, você vai entender por que adotar um cachorro deficiente pode ser uma das experiências mais gratificantes da sua vida. Confira!

Quais são os tipos de deficiências nos cães?

Antes de falar sobre adotar um cachorro deficiente, você precisa entender quais os tipos de deficiências nos cães. Segundo o especialista em comportamento canino, fundador da Zago Adestramento e fundador honorário do Patinhas Urbanas, Richardson Zago, os tipos de deficiências em cães podem ser classificadas nas seguintes categorias:

  • físicas;

  • visuais;

  • auditivas;

  • neurológicas;

  • cognitivas.

Segundo ele, as deficiências físicas, por exemplo, afetam o sistema motor do animal, podem causar paralisia parcial ou total, muitas vezes associada a lesões na coluna.

“Essas condições podem ser resultado de atropelamentos, quedas, traumas ou até doenças que levam à necessidade de amputações. Problemas ortopédicos, como a displasia grave de quadril, por exemplo, também podem comprometer a locomoção, especialmente dos membros posteriores”, explica o especialista.

Sobre as deficiências visuais, Richardson diz que elas envolvem a perda parcial ou total da visão, podendo ser progressiva ou súbita. Já as causas, podem ser consequências de catarata, atrofia da retina, envelhecimento, diabetes e fatores genéticos.

Já sobre a deficiência auditiva ou surdez, Zago explica que ela pode afetar um ou ambos os ouvidos e também pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida.

“A deficiência auditiva pode ser causada por fatores genéticos, envelhecimento, infecções ou exposição a ruídos intensos”, destaca.

Outro tipo de deficiência são as neurológicas ou cognitivas. Elas afetam o funcionamento do cérebro e o comportamento do cão, podendo causar convulsões, desorientação, dificuldade de aprendizado e alterações comportamentais.

“Entre as principais causas estão a epilepsia, tumores, síndrome de disfunção cognitiva e doenças como a cinomose”, esclarece.

Também há casos em que o animal pode apresentar mais de uma deficiência ao mesmo tempo, caracterizando assim as deficiências sensoriais combinadas, o que exige ainda mais cuidados e adaptações.

Mas, porque então adotar um cachorro deficiente?

De acordo com o especialista, cães com deficiência têm menos tempo de adoção e, ao oferecer um lar a esses animais, proporciona-se uma nova oportunidade de vida, com dignidade, cuidados adequados e bem-estar.

“Outro aspecto relevante é que a adoção consciente envolve pessoas que estão realmente dispostas a compreender e atender às necessidades específicas do animal. Em alguns casos, por exemplo, pessoas que possuem alguma deficiência ou convivem com alguém nessas condições se identificam com esses cães, demonstrando maior sensibilidade e compreensão em relação aos cuidados necessários”, afirma o especialista.

Um ponto importante destacado é em relação a realidade dos abrigos. Segundo Zago, esses espaços estão sempre lotados e, adotar um animal, especialmente um com necessidades especiais, contribui–se para a liberação de espaço e a adoção de outros pets.

O que considerar antes de adotar um cachorro deficiente?

Conhecer sobre a deficiência

“É fundamental considerar alguns pontos importantes antes de adotar um cachorro deficiente. O primeiro deles é conhecer a deficiência do animal”, diz. De acordo com Zago, muitas adoções acontecem por impulso emocional, motivadas pela compaixão, mas é essencial entender, de forma prática e realista, quais serão as demandas desse pet no dia a dia.

Pois, cada deficiência exige cuidados específicos que podem incluir acompanhamento veterinário frequente, exames, uso de medicamentos e adaptações no ambiente.

Adaptar a casa para o cão

Em muitos casos será necessário adaptar a casa para o pet. Assim, o tutor garantirá a segurança e a qualidade de vida do animal. Pisos, escadas e espaços podem ser adaptados.

Avaliar a condição financeira

A questão financeira também deve ser avaliada com responsabilidade. Dependendo da condição do animal, os custos com cuidados podem ser mais elevados. Por isso, de acordo com o especialista, é importante que família tenha condições de arcar com as despesas e garantir que o cão receba todo o suporte necessário ao longo da vida.

Buscar informações de qualidade

Buscar informações de qualidade como aqui no Guia do Pet Feliz também pode ajudar na hora de pensar em adotar um cachorro deficiente.

“A informação tem um papel essencial nesse processo. Por isso, divulgar a existência de cães com deficiência que aguardam adoção é uma forma de ampliar as chances desses animais encontrarem um lar”, orienta Zago.

Segundo ele, muitos cães ainda são abandonados ou rejeitados devido às suas limitações, quando, na verdade, são igualmente capazes de oferecer amor e companheirismo.

“Ao compartilhar conhecimento, mais pessoas são alcançadas, seja para adotar ou para indicar a adoção a outras pessoas. Dessa forma, contribui-se para a conscientização e para a construção de uma sociedade mais empática e responsável com os animais”.

Conheça a história de Oreo, o cãozinho com deficiência auditiva

Uma história emocionante e que Zago nos conta é sobre o Oreo, o cãozinho com deficiência auditiva. Segundo o especialista, Oreo não foi escolhido, foi resgatado no momento certo.

Em agosto de 2024, ele foi descartado por fugir do padrão da raça e ser surdo. “Mas para nós, ele nunca foi “menos”. Ele sempre foi único. Em um momento difícil da nossa família, ele chegou e trouxe exatamente o que a gente precisava: superação, amor, presença e recomeço”, lembra.

O cãozinho precisou de adaptação aos espaços e desenvolvimento da comunicação para aprender regras, limites e necessidades no convívio familiar e também com outros cães.

Outro ponto importante foi o adestramento do cão com deficiência. Neste trabalho, o especialista em comportamento canino diz que todas as questões pertinentes à segurança do animal em relação às suas limitações físicas, adaptação ao ambiente à família são avaliadas.

Assim também como os limites de espaço, tempo, barulhos e demais regras da casa e/ou condomínio, além de treinar a família ao manejo correto deste novo integrante do lar.

“Tudo isso foi feito de forma cuidadosa e paciente com o Oreo, afinal, não só ele precisava aprender as regras e comunicação como nós também”, enfatiza.

Zago disse que adotar o Oreo foi um desafio, pois como tutor aprendeu a comunicar de forma não verbal com o cãozinho. “Utilizamos vários gestos na nossa comunicação à distância. A troca com ele é constante, pois trocamos carinhos, afetos, aprendizados, companhia e respeito às diferenças e necessidades mútuas”, completa..

Hoje, o Oreo não é só parte da história do especialista, mas também proporciona aprendizado, cuidado e superação, além de suporte emocional.

“Ele é o coração da Zago Adestramento. Porque aqui, nós acreditamos que todo cão pode aprender e merece ter uma segunda chance. E mais do que isso ,todo cão precisa ser compreendido e aceito”, finaliza.

Neste artigo você viu alguns motivos para adotar um cachorro deficiente. Também contamos a história de Oreo, um cãozinho com deficiência auditiva. Você viu o quanto ele mudou o dia a dia, mas trouxe muito amor para toda a família.

Gostou do conteúdo? Quer mais informação confiável e de qualidade? Acesse o próximo artigo e confira 12 dicas de alimentação saudável para o seu pet!

Imagem do post: Richardson Zago com o Oreo, um Biewer Terrier com deficiência auditiva.

Créditos da foto: Vanessa Sallesaro @fotografia_de_caes

Perguntas frequentes sobre adotar um cachorro com deficiência

Por que se deve adotar animais com deficiência?

Ao escolher um pet com deficiência, você quebra preconceitos. Ao compartilhar a convivência com esses animais, mostra que o valor da vida não está na aparência ou na capacidade física, mas no amor e na convivência que se constrói no dia a dia.

O que é cachorro PCD?

Cachorro PCD é um pet com deficiência, seja física, motora, auditiva ou visual. São cães felizes e amorosos quanto qualquer outro. O que eles precisam é de algumas adaptações e realizar atividades para aproveitar a vida do jeitinho deles. Infelizmente, muitos levam mais tempo para serem adotados.

Como saber se o cachorro é deficiente?

Cansaço e prostração. A letargia e a falta de vontade de brincar e passear podem ser sinais de doenças em cachorros. Assim como os humanos, os cães perdem energia para interagir quando não estão bem. Além disso, um animal amuado fica mais sonolento e triste durante boa parte do dia.

Onde encontrar um cachorro para ser adotado?

Pelas ruas do país você pode encontrar algum animal precisando de ajuda. No entanto, em muitas cidades brasileiras têm abrigos para cães e gatos, assim como existem várias Ongs precisando de ajuda. Se informe em sua cidade!